Influencer Eremita

Fragmentos do que me inspira


O legado do Círculo do Livro

Quando comecei a montar minha biblioteca particular, logo me deparei com vários livros usados que tinham registrado em suas capas Círculo do Livro. Pesquisando descobri que tratava-se de um extinto clube de assinatura que funcionou no Brasil entre 1973 e 1996, chegando, em seu auge, a ter 800 mil sócios.

A ideia me pareceu maravilhosa e tentando viver essa experiência, busquei algo similar, mas não encontrei no Brasil. Via algumas propostas semelhantes nos Estados Unidos, por exemplo, a OwlCrate, mas nada aqui.

Livros do Círculo do Livro da minha coleção

Depois, em 2014, surgiu a TAG Livros, que só tomei conhecimento em 2017, e fui membro por dois anos seguidos. Sempre me surpreendia pelo trabalho impecável nas edições e na revisão dos textos, além da qualidade da curadoria feita, onde, por muitas vezes, li livros excelentes que jamais teria conhecido fora do clube. Infelizmente, depois os livros foram se acumulando na minha estante e eu acabava sempre lendo outra coisa em vez dos livros que já tinha recebido, me fazendo desistir de manter a assinatura.

Durante o tempo que eu assinava a TAG Livros, houve um boom de clubes literários, dos quais não tomei parte: Clube Skoob, Turista Literário, Clube de Literatura Clássica, Clube Intrínsecos…

Alguns anos depois, creio que devido ao cenário de pandemia e ao lema Fique em casa, vi surgir outros três clubes de livros, através da plataforma Catarse, de financiamento coletivo: Clube da Caixa Preta, Raridades do Conto Gótico e Sociedade das Relíquias Literárias. Sendo que apenas o último segue existindo.

Desses, participei de todos, durante um período, e meu favorito foi o Raridades do Conto Gótico, onde todo mês recebia em casa dois livretos, podendo ser histórias diferentes ou a mesma dividida em duas partes. Através dele tive o prazer de conhecer o irlandês Charles Robert Maturin e a inglesa Letitia Elizabeth Landon que escreviam soberbamente no gênero gótico.

Livretos do clube Raridades do Conto Gótico

O Clube da Caixa Preta também trazia contos excelentes, mas confesso que o que eu mais gostava eram as lives que o Stefano Volp, idealizador do clube, mediava mensalmente. Algumas ainda seguem gravadas e podem ser assistidas no canal do autor.

Já o clube Sociedade das Relíquias Literárias, que segue existindo, foi criado pela Editora Wish, e tem o foco em contos que exploram o fantástico. Entre idas e vindas em minhas assinaturas, já li para mais de vinte edições, mas sinto que não me conecto tanto com os contos selecionados no geral.

Refletindo sobre esse tema, vejo como a literatura vem se atualizando ao longo dos anos, migrando para o digital, mas ainda assim, continuamos buscando clubes, curadorias e seleções mensais. No cerne, a mesma tentativa: criar a sensação de pertencer a uma comunidade. Um terceiro lugar.

Porque, no fundo, não queremos apenas recomendações frias de um algoritmo. Pedimos por mais, pedimos mediação, contexto e, sobretudo, por conversas significativas. Queremos alguém dizendo: “Eu compartilho do seu ponto de vista!”.



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