
De vez em quando, desenvolvo uma espécie de ânimo excessivo por alguns temas, que pode durar de um dia a meses; ainda não me é possível determinar quando este entusiasmo surge ou quando irá cessar. Para fins de auto-observação, listo-os aqui como um pequeno inventário de obsessões:
#1 – Elena Ferrante: não a figura da autora, afinal, ela é anônima, ou talvez justamente isso: a imagem dessa mulher mundialmente famosa que ninguém conhece ao certo. Sua escrita é absurda, seca e profunda. A forma como descreve a natureza humana é crua e violenta.
#2 – Revistas: a leitura, mas não apenas para se manter informada. Há também o brilho das páginas impressas em altíssima qualidade, as fotografias e matérias. É a sensação de voltar no tempo e, de repente, estar na sala de espera do dentista nos anos 2000.
#3 – Rolling Stone’s 500 Greatest Albums of All Time (2020): a tentativa, quase frustrante, de ouvir todos os álbuns dessa bendita lista. Detestar metade, adorar o restante. As milhares de músicas desconhecidas que me fazem questionar se eu realmente estava perdendo algo por não conhecê-las. Nada nacional, uma tristeza para minhas estatísticas, antes tão cheias de brasilidades. Amar Anita Baker e detestar The Magnetic Fields e seu álbum infinito que, provavelmente, aparecerá em minha retrospectiva Spotify do ano. Descobrir que as músicas que fazem sucesso no TikTok hoje em dia já estavam mapeadas lá atrás por eles.
#4 – Cristais: uma busca constante por auxílio externo, por essa beleza que aterra. A construção de um altar, um portal por onde encaminhar tudo o que se sente, talvez, até a mim mesma. Aprender algo sem nenhum fim definido, apenas porque é possível.
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