
Passei mais de um mês sem escrever uma frase e, pensando para além dos clichês das festas de fim de ano e feriados (embora seja irônico voltar após o carnaval), percebi que talvez o Substack tenha tirado um pouco do meu brilho (que já era quase opaco) para escrever.
Fui para lá me queixando que o WordPress é um mundo fechado, onde tenho dificuldade de encontrar pessoas que quero ler, mas percebi que todo esse senso de comunidade do Substack talvez tenha sido o que me fez travar e acabar nem tentando escrever algo. Por isso, volto para cá e fecho a porta atrás de mim, mantendo-me aqui e o mundo lá fora.
Considero-me uma pessoa relativamente bem analisada e já identifiquei alguns dos meus gatilhos para o isolamento e para esse desânimo generalizado que sinto. Porém, identificar e fazer algo a respeito são coisas distintas e essa barreira eu não estou conseguindo transpor no momento.
Estava lendo com certa empolgação o livro O Caminho do Artista até que a autora mencionou uma das técnicas que iria desenvolver melhor nos próximos capítulos, que são divididos em semanas: escrever, no mínimo, três páginas por dia. Infelizmente, meu medo falou mais alto, e parei de lê-lo imediatamente. Mas agora estou passando por uma fase em que não estou conseguindo escapar da realidade como sempre fiz com jogos e literatura, e pensei que talvez a escrita pudesse me ajudar a achar esse caminho de volta.
Logo, me veio a ideia de escrever sobre a morte do meu avô. Condenei esse pensamento no segundo seguinte em que o percebi pairando na minha mente. Não sou nenhuma Lya Luft, em seu livro O Lado Fatal, para poder falar sobre isso. Depois, nos minutos precedentes, enquanto escrevo este texto, ri um pouco de mim mesma por achar que devo começar no mesmo nível que uma autora tão premiada. Dom Juan, nos tão queridos (para mim) livros de Carlos Castaneda, disse ao autor que ele era importante demais em sua própria concepção e que isso lhe trazia um cansaço horrível. Penso em mim da mesma forma.
Entre essas e outras divagações, decidi voltar a pelo menos tentar escrever. Sem técnicas de SEO, sem hashtags. Escrever para impor limites à própria autoimportância.
E não, não quero escrever em uma agenda, pois não gosto de escrever à mão, e lá não tenho a facilidade de adicionar imagens legais como esta que coloquei aqui.
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