Resolvi participar do desafio “Ler o mundo” ao perceber o quanto que o que eu lia estava enviesado pela cultura estadunidense, e, logo depois, notei que tambĂ©m haviam vieses nas minhas leituras nacionais.
Vendo as estatĂsticas da minha planilha, percebi que os livros nacionais lidos estavam, em 61% dos casos, concentrados em trĂŞs estados: SĂŁo Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Pode parecer um certo exagero se pensarmos em uma amostra de 20 ou 50 livros, mas aqui estou falando de quase 400 livros lidos — e, no meio disso tudo, havia pouca diversidade.
Na época, eu já tinha adquirido um hiperfoco na literatura regionalista nordestina e tinha uma predileção especial por Graciliano Ramos, mas regiões como Centro-Oeste e Norte seguiam inexploradas para mim.


NĂŁo segui nenhum padrĂŁo para realizar essas leituras e fui deixando ao acaso, Ă medida que encontrava autores de estados nĂŁo lidos na biblioteca da universidade, em sebos ou on-line.
Buscando cumprir o desafio autoimposto, pude conhecer alguns autores que talvez, de outro modo, eu nĂŁo tivesse parado para ler, ficando sempre no que já era conhecido. Tive gratas surpresas ao conhecer Stefano Volp (EspĂrito Santo), NĂşbia N. Marques (Sergipe), DalcĂdio Jurandir (Pará) e Milton Hatoum (Amazonas) — que, apesar da fama, eu nunca tinha lido.
Atualmente, faltam para mim: Acre, Amapá, PiauĂ, RondĂ´nia e Tocantins.
Espero, em breve, finalizar esse desafio, pois já se estende há alguns anos. De todo modo, tem sido uma experiência muito rica conhecer cada estado para além de seus estereótipos.
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