Quando observei que já tinha lido muitos autores estadunidenses, pensei “Por que nĂŁo ler um por estado?” Já estava com os desafios de Ler o Mundo e Ler o Brasil, e decidi seguir por mais esse caminho.
Também nesse desafio, sigo sem prazo ou algum tipo de meta definida, apenas pelo prazer que tenho, raramente, de marcar como lido mais um estado e colorir outro pedaço do mapa 🙂

Tentando sair um pouco dos best-sellers recomendados pelo The New York Times, tive o privilĂ©gio de conhecer, atravĂ©s do extinto Clube da Caixa Preta, autores como Alice Dunbar-Nelson, Arna Bontemps, Langston Hughes, Nella Larsen, Rudolph Fisher, W. E. B. Du Bois, Zora Neale Hurston… entre outros escritores que trazem uma visĂŁo dos Estados Unidos para alĂ©m da que foi construĂda por Hollywood.
É a perspectiva do povo que ergueu a nação, de quem sabe o que realmente está por trás do sonho americano difundido e glamourizado na mĂdia.
Oceola odiava a maioria dos artistas, também, além da palavra arte, fosse em Francês ou Inglês. Se você queria tocar piano, ou pintar quadros ou escrever livros, que fosse em frente. Porém, qual a necessidade de teorizar tanto a respeito? Montparnasse, nesse aspecto, era muito pior que o Village. E ainda havia alguns negros cultos que estavam sempre dizendo que arte poderia desconstruir as desavenças de cor, que a tal arte poderia salvar a raça e preveni-los das injúrias.
— Besteira! — dizia Oceola — Minha mĂŁe e meu pai eram ambos bons artistas, quando se tratava da mĂşsica, e os brancos ainda os expulsaram da cidade por estarem vestidos como gente do Alabama. E os judeus? Vários artistas no mundo sĂŁo judeus e as pessoas ainda os odeiam. (Conto “O blues que eu vivo” de Langston Hughes, publicado em 1934.)
Trago essas reflexões para cá, pois, embora eu veja a literatura como lazer, não quero que ela seja somente isso. Quero que os livros me tragam um novo ponto de vista, que me causem o desconforto necessário para mudar a minha forma de ver o mundo e a mim mesma.
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