Quando soube que iria pela primeira vez a Porto Alegre/RS, logo me veio o pensamento que gostaria de conhecer a capital gaúcha pelo ponto de vista dos muitos autores que passaram por ali e, em especial, Mario Quintana, porque, por alguma razão, é o único escritor cujo poema ainda sei de cor, depois de tantos anos.
Deixei a ida ao antigo Hotel Majestic por último, como quem deixa o melhor para o final, e iniciei meu percurso indo ao Farol Santander, onde tive a sorte de encontrar a exposição de Yelena Filipchuk e Serge Beaulieu, Sombras Milenares – O Mundo de HYBYCOZO, que me trouxe um fascínio enorme pelo que eu via ali.
Eram esculturas geométricas imersivas, mas não é possível reduzi-las a isso. Traziam como referência as geometrias sagradas, como a do Cubo de Metatron. Fiquei ali sentada, apreciando todas as instalações que, de modo algum, consegui capturar nas fotos de forma justa.



Depois, encontrei casualmente a 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, e achei, em meio aos expositores, o sebo Traça Livraria, onde eu já comprei muitas vezes on-line, me remetendo ao período em que comecei a construir minha atual coleção de livros.
E por fim, na Casa de Cultura Mario Quintana, pude estar em contato com a parte do autor que permaneceu após sua partida. Além de suas obras, ficaram alguns pertences: cartas, objetos de uso pessoal, fotos. Fragmentos que formavam seu dia a dia.



Eu não sei dizer se ele andava pela Rua dos Andradas com o peito pesado pelas preocupações de sua vida e de seu tempo, mas, nas fotos em exposição e em sua poesia, parecia leve. Talvez por colocar no papel, com simplicidade e ironia, tudo o que lhe pesava. Talvez por se permitir deixar o passado para trás, como a geração anterior de escritores não fez, e voltar seu olhar para o presente.
Saí de lá pensando que essa era uma forma, provavelmente a única, de experienciar, em vida, a sensação de eternidade: a contemplação incessante do momento presente, refletido em um eterno agora. Nesse local Quintana segue habitando a cidade.
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